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sábado, 14 de julho de 2018

Freddie Mercury


Nome artístico de Farrokh Bulsara (Zanzibar, 5 de setembro de 1946 — Londres, 24 de novembro de 1991), foi um cantor, pianista e compositor britânico que ficou mundialmente famoso como fundador e vocalista da banda britânica de rock Queen, que ele integrou de 1970 até o ano de sua morte.
 Mercury tornou-se célebre pelo seu poderoso tom de voz e seus desempenhos energéticos que sempre envolviam a plateia, tendo sido considerado pela crítica como um dos maiores artistas de todos os tempos. Como compositor, Mercury criou a maioria dos grandes sucessos do Queen, como We Are the Champions, Love of my Life, Killer Queen, Bohemian Rhapsody, Somebody to Love e Don't Stop Me Now. Além do seu trabalho na banda, Mercury também lançou vários projetos paralelos, incluindo um álbum solo, Mr. Bad Guy, em 1985, e um disco de ópera ao lado da soprano Montserrat Caballé, Barcelona, em 1988. Mercury morreu vítima de broncopneumonia, acarretada pela AIDS , em 1991, um dia depois de ter assumido a doença publicamente.


 Seu trabalho com Queen ainda lhe gera reconhecimento até os dias de hoje: Mercury é citado como principal influência de muitos outros cantores e bandas. Em 2006, ele foi nomeado a maior celebridade africana de todos os tempos e também eleito o maior líder de banda da história em uma votação pública organizada pela MTV americana. Em 2008, ele ficou na décima oitava posição na lista dos 100 Maiores Cantores de Todos os Tempos da revista Rolling Stone, e no ano seguinte a Classic Rock o nomeou o maior vocalista de rock and roll. Com o Queen, Mercury já vendeu mais de 150 milhões de discos em todo o mundo.
 Freddie Mercury, batizado de Farrokh Bulsara, nasceu na colônia britânica Cidade de Pedra, em Zanzibar (hoje parte da Tanzânia), seus pais, Bomi e Jer Bulsara, eram parsis zoroastrianos de Guzerate, na Índia. A família Bulsara se mudou da Índia para Zanzibar para que Bomi pudesse manter seu emprego no Banco Colonial Inglês, e lá o casal também teve sua segunda filha, Kashmira.
 Em 1954, aos oito anos, o garoto foi enviado para estudar na St. Peter Boarding School, uma escola para meninos na cidade indiana de Bombaim, tendo feito todo trajeto sozinho a bordo de um navio. Nessa época, já grande apreciador de música, ele começou a ter aulas de piano, muito influenciado pela cantora local Lata Mangeshkar. Aos doze anos, montou uma banda chamada The Hectics, com quem ele se apresentava em eventos escolares cantando sucessos de artistas como Cliff Richard e Little Richard, e foi nessa época que ele passou a ser chamado de "Freddie" pelos amigos. Apesar de ser apreciado pelos mais velhos devido a seu carisma e talento musical, o garoto sofria muito bullying por parte das outras crianças de sua idade devido a sua personalidade afeminada, o que o levou a se tornar uma pessoa introspectiva e muito tímida quando perto de estranhos. Quando mais velho, Freddie passou a morar na casa de sua avó, mas continuou frequentando o mesmo colégio até o fim do curso, voltando para a casa de seus pais em seguida. 
 Quando Freddie tinha dezessete anos, a família Bulsara, assustada com a Revolução Civil de Zanzibar de 1964, mudou-se para a capital inglesa, Londres, onde ele passou a estudar arte na Escola Politécnica Isleworth, posteriormente ganhando seu diploma como designer gráfico através da Ealing Art College. Após sua graduação, Freddie foi trabalhar como vendedor de roupas no famoso Mercado Kensington, ao lado de sua então namorada Mary Austin, e também foi atendente no Aeroporto Heathrow por um breve tempo. Em 1969, Freddie iniciou a banda Ibex, depois nomeada Wreckage, mas que não durou muito tempo, depois integrando o grupo Sour Milk Sea. Em abril de 1970, Freddie se juntou ao guitarrista Brian May e ao baterista Roger Taylor no trio Smile, cujo nome foi alterado para Queen, e nessa época, Freddie adotou a alcunha Mercury como sobrenome artístico, baseado na letra de uma de suas primeiras canções.
 Mercury era bissexual não assumido, embora seja costumeiramente descrito como totalmente gay. Em dezembro de 1974, quando perguntado diretamente sobre sua sexualidade por um repórter do jornal NME, Mercury respondeu que houve uma época em que ele era jovem e desprotegido", e que teve sua "cota de humilhações escolares, deixando implícito que ser gay o levou a ser discriminado por seus colegas de escola. Raramente Freddie falava sobre sua vida particular para a imprensa, e sua família e amigos seguiam a mesma linha, mas sua irmã, Kashmira, disse a uma rede de televisão britânica que o cantor jamais falou sobre sua homossexualidade diante da família, mas que todos sabiam, e isso nunca os havia incomodado. A mídia, no entanto, especialmente a britânica, sempre teve interesse em revelar Freddie como gay, e constantemente esse assunto era abordado em jornais, revistas e televisão; em 1986, por exemplo, o jornal The Sunday Times publicou uma matéria dizendo que Freddie havia assumido ter uma dúzia de romances gays.
 No início dos anos 70, Freddie iniciou um relacionamento com a vendedora de roupas Mary Austin, que ele conheceu através de Brian May, que se estendeu durante anos. O envolvimento amoroso deles acabou quando Freddie confessou sua natureza homossexual para ela, mas os dois mantiveram uma grande amizade por toda a vida, com Freddie dedicando a famosa canção Love of my Life em sua homenagem, e também sendo padrinho de seu primeiro filho. Em seu testamento, Freddie deixou para ela sua mansão em Londres, assim como a detenção de todos os direitos autorais de sua discografia, o que continua a render a Mary milhões de libras todos os anos. A moça ainda vive com sua família na casa de Freddie. No fim dos anos 70, o cantor também teve um relacionamento sério com um executivo da Elektra Records, que durou cerca de um ano. Pouco tempo depois, o cantor se envolveu com a atriz austríaca Barbara Valentin, que inclusive foi uma das figurantes no videoclipe da canção It's a Hard Life, e em 1985 iniciou outro sério romance com o cabeleireiro Jim Hutton, com quem Freddie viveu até o fim de sua vida; Jim não deixou Freddie durante sua doença e estava ao lado dele na cama quando o cantor faleceu. Jim morreu vítima de câncer em 2010.
 Mesmo tendo tido outros relacionamentos, Freddie sempre deixou claro que Mary Austin foi a pessoa mais importante de sua vida, e que a considerava uma esposa.

 Muitos dos meus amantes me perguntam por que eles não podem substituir Mary, mas é simplesmente impossível. Mary é minha única amiga, e eu não quero mais ninguém. Para mim, é como um casamento. Nós acreditamos um no outro, e é o suficiente para mim.
Mercury sobre Mary Austin.
 Em outubro de 1986, a imprensa britânica começou a noticiar que Mercury havia sido diagnosticado como portador do vírus da AIDS em uma clínica da rua Harley, e uma repórter do The Sun perguntou ao cantor a respeito quando ele desembarcou em um aeroporto voltando de uma viagem ao Japão, e ele negou o boato. De acordo com o parceiro de Freddie, Jim Hutton, o cantor foi diagnosticado soropositivo em abril de 1987, mas decidiu negar todos os boatos sempre que questionado. No entanto, a saúde física de Freddie se deteriorou rapidamente, e ele começou a aparecer em público cada vez mais magro e pálido, o que levou a imprensa a publicar centenas de artigos especulando sobre o assunto. Nessa época, o Queen havia se aposentado dos palcos devido a condição do vocalista, e em 18 de fevereiro de 1990, quando o Queen foi homenageado no Brit Awards, em Londres, recebendo uma condecoração por sua Contribuição a Música Britânica, Freddie compareceu ao lado da banda, mas não falou nada, o que apenas alimentou os rumores. Naquela altura, para o grande público, já era uma certeza que o cantor era, de fato, seropositivo, e o Brit Awards foi sua última aparição pública.
 Em 1991, totalmente recluso, Freddie era vítima constante do assédio de repórteres, que cercavam sua casa e não iam embora durante dias para conseguir uma foto sua, que estava com uma horrível aparência devido a sua doença. Uma foto do rosto de Freddie, magro e com manchas negras, estampou uma edição do The Sun na matéria É Oficial: Freddie Está Gravemente Doente, que foi a edição de jornal mais vendida no ano no Reino Unido. Apesar de não poder se apresentar ao vivo, Freddie continuou a trabalhar com a banda até o fim; depois de descobrir sua doença, o cantor lançou um disco de ópera e também lançou mais dois álbuns com a banda, e continuou a gravar videoclipes com o grupo, o vídeo de These Are the Days of Our Lives, gravado em maio de 1991, foi o último trabalho de Freddie em frente às câmeras; para esconder as horríveis manchas que tinha na pele, ele teve de passar horas se maquiando, e o vídeo teve de ser lançado em preto e branco para esconder sua aparência.
 Em junho de 1991, Freddie continuou a gravar vocais para novas músicas do Queen para que a banda as terminasse depois, pois ele sabia que não sobreviveria por muito tempo, mas um certo dia teve de abandonar os estúdios totalmente por não ter mais forças nem para se manter em pé. Essas canções foram posteriormente lançadas no álbum póstumo Made in Heaven, em 1995. Em seus últimos dias, Freddie perdeu a visão e não conseguia sair da cama, por isso decidiu parar de tomar sua medicação, e passou a esperar pela morte. Em 22 de novembro, Freddie chamou o empresário do Queen, Jim Beach, e pediu que ele fizesse um comunicado à imprensa para divulgar sua doença, que foi lançado no dia seguinte. Cerca de vinte e quatro horas após o comunicado ser feito, durante a noite, Freddie faleceu vítima de broncopneumonia, acarretada pela AIDS. Seu funeral ocorreu em Londres três dias depois, assistido por trinta e cinco pessoas, incluindo a família de Freddie, os membros e o empresário do Queen, Mary Austin, Jim Hutton e poucas outras pessoas. O corpo do cantor foi cremado no Cemitério de Kensal Green, e suas cinzas foram entregues a Mary Austin, e apenas ela, Jim Hutton, a família do cantor e os membros do Queen sabem onde as cinzas foram depositadas, e nunca revelaram seu paradeiro.
 Seguindo a enorme comoção da mídia nas últimas duas semanas, eu gostaria de confirmar que fui testado como seropositivo e tenho AIDS. Eu senti que era melhor manter isso privado até agora para proteger a mim e aqueles ao meu redor. No entanto chegou a hora de meus amigos e meus fãs saberem a verdade, e espero que todos se juntem a mim e aos meus médicos na luta contra essa terrível doença. Minha privacidade sempre foi importante para mim e sou famoso por minha falta de entrevistas, por favor, entendam que essa política continuará.
Parte do comunicado de Freddie Mercury assumindo ser soropositivo.
 Mercury se tornou mundialmente famoso como vocalista da banda de hard rock Queen, que ele formou ao lado do guitarrista Brian May e do baterista Roger Taylor em 1971 sob o nome Smile, com o nome Queen sendo adotado logo depois do recrutamento do baixista John Deacon. Os primeiros álbuns da banda, Queen e Queen II tiveram uma recepção mais limitada ao Reino Unido, e o grupo conseguiu certa projeção mundial com o disco Sheer Heart Attack, com a conhecida canção Killer Queen, mas foi em 1975 que a banda atingiu o estrelato com o álbum A Night at the Opera, que trouxe a canção Bohemian Rhapsody, um grande clássico na qual Mercury fundiu o rock and roll com a ópera e criou aquela que é, até hoje, considerada uma das maiores gravações musicais da história. O Queen seguiu lançando discos muito bem vendidos e realizando grandes turnês mundiais. Em 1976, foi lançado A Day at the Races, com a canção Somebody to Love, e em 1977 saiu News of the World, que trouxe os dois maiores hinos do grupo, We Will Rock You e We Are the Champions. O álbum seguinte, Jazz, não foi um fracasso, mas falhou em conseguir a mesma aceitação de seus antecessores, apesar de que com The Game o Queen voltou a ser elogiado, trazendo canções como Crazy Little Thing Called Love" e Another One Bites the Dust, uma canção ao estilo de funk rock que foi um grande sucesso e esteve no topo da Billboard Hot 100 por várias semanas. Na turnê de The Game, o Queen tornou-se a primeira grande banda europeia a se apresentar na América do Sul, com cinco datas na Argentina e duas no Estádio do Morumbi, na cidade brasileira de São Paulo, atraindo uma audiência combinada de quase trezentas mil pessoas.
 Em 1982, empolgado com a boa recepção de Another One Bites the Dust, Freddie decidiu que queria gravar um álbum inteiro nesse estilo, uma ideia que desagradou profundamente os outros três membros do grupo, mas que acabaram cedendo, produzindo canções de funk rock, new wave e outros estilos diferenciados. O álbum em questão, Hot Space, se tornou o único grande fiasco do grupo, desagradando profundamente os fãs e recebendo um péssima avaliação da crítica, sendo, até hoje, considerado uma dos piores álbuns já lançado por uma banda. O fracasso do disco causou muitos problemas no grupo, que se separou momentaneamente, reunindo-se mais tarde para gravar um novo disco, voltando ao seu estilo habitual. O álbum The Works permitiu que a banda recuperasse sua popularidade, trazendo grandes sucessos como I Want to Break Free, Radio Ga Ga e Hammer to Fall. Na turnê do disco, a banda voltou ao Brasil como atração principal da primeira edição do festival Rock in Rio, na cidade do Rio de Janeiro em 1985, se apresentando em duas noites para uma audiência combinada de cerca de seiscentas mil pessoas. Mais tarde naquele ano, a banda realizou uma de suas mais famosas apresentações, como atração principal do festival beneficente britânico Live Aid, no Estádio de Wembley, que foi transmitida ao vivo na televisão para milhões de pessoas e é, até hoje, considerada pela crítica a maior apresentação de um grupo de rock já feita. Nesse mesmo ano, Freddie lançou seu álbum solo, Mr. Bad Guy, que teve vendas modestas, mas gerou alguns sucessos como Living on My Own e I Was Born to Love You
 Em 1986, com sua popularidade altamente renovada, o Queen lançou o disco A Kind of Magic, que foi um grande sucesso, e realizou uma turnê de estádios pela Europa, com uma produção e recepção nunca vista antes, com dois concertos no Estádio de Wembley que foram gravados e lançados em vários formatos posteriormente. Em 1987, Freddie descobriu ser portador do vírus da AIDS, e sua saúde física se deteriorou rapidamente, por isso o Queen se aposentou dos palcos, sendo que o concerto final da Magic Tour, em Londres, no dia 8 de agosto de 1986, foi o último momento de Freddie no palco. Trabalhando apenas no estúdio, o grupo lançou The Miracle em 1987, e no ano seguinte, Freddie voltou a inovar sua carreira ao lançar o disco Barcelona, um projeto de música clássica ao lado da soprano espanhola Montserrat Caballé. Em 1991, o Queen lançou Innuendo, que foi um grande sucesso comercial, e mesmo estando com sua saúde extremamente debilitada, Freddie continuou a trabalhar exaustivamente, tanto que, após menos de um mês, ele já estava em estúdio gravando vocais para um disco novo do grupo. O cantor, que morreu nesse mesmo ano, já sabia que não sobreviveria por muito tempo, por isso gravou todos os vocais antecipadamente para que a banda concluísse o trabalho mais tarde.
 Em 1992, os três integrantes remanescentes do Queen organizaram um grande concerto em homenagem a Freddie, o The Freddie Mercury Tribute Concert, no Estádio de Wembley, que teve a participação de muitas das maiores bandas da história, como Led Zeppelin, Guns N' Roses, Metallica, U2, e muitas outras. O álbum gravado com os vocais que Freddie deixou prontos, Made in Heaven, foi finalizado e lançado em 1995. Hoje em dia, estima-se que o Queen já tenha vendido mais de cento e cinquenta milhões de discos ao redor do mundo.

Apesar de que no dia a dia, a voz de Mercury soava em um tom barítono, quando estava cantando, seus vocais atingiam uma escala de tenor, normalmente variando de Baixo F (F2) para Alto F (F6), quase atingindo a escala soprano, que é feminina. David Bret, um conceituado crítico, descreveu a voz do cantor como [...]indo de um típico grunhido gutural de rock para um vibrante som tenor, logo atingindo um tom alto, perfeito e cristalino no ápice. A soprano Montserrat Caballé, com quem Freddie gravou um álbum, declarou que a diferença entre ele e outros cantores é que ele estava realmente vendendo a voz. A soprano completou dizendo que [...]sua técnica era impressionante. Sem problemas de sincronia, ele cantava com um grande senso de ritmo, capaz de mudar facilmente de uma escala para outra. Sua pronuncia era sutil, doce e também poderosa, ele era capaz de encontrar o tom certo para cada palavra.
 Além de cantar, Freddie também tinha uma grande versatilidade artística, sendo capaz de tocar vários instrumentos, sendo também o pianista do Queen. O cantor começou a ter aulas de piano aos nove anos na Índia, e depois de se mudar para Londres, foi treinado na guitarra e no violão, tendo tocado esses instrumentos em várias canções do Queen, e apesar de também ter grande habilidade para tocar teclado, o cantor não gostava desse instrumento, por isso, alguém de fora do Queen sempre era convidado para tocá-lo nos discos do grupo, como Fred Mandel e Mike Moran. Nos concertos do Queen, Freddie executava ao vivo todas as partes de piano, e após 1980, quando foi lançada a canção Crazy Little Thing Called Love, Freddie passou a executá-la ao vivo tocando violão, e depois tocando guitarra ao lado de Brian May. Apesar de sempre ter tido uma mente aberta com relação a novas tecnologias, e ter aprovado o uso de sintetizadores em vários discos do Queen, Freddie costumava ter aversão a pianos elétricos por achar o som deles artificial, tanto que em 1975, o cantor se recusou a tocar um piano Wurlitzer na canção You're My Best Friend, de John Deacon, levando o próprio John a ter que gravá-lo.
 No Queen, Mercury era o principal compositor ao lado de Brian May, com Roger Taylor e John Deacon tendo um papel geralmente menor. Freddie criou a maioria dos grandes sucessos do Queen, como We Are the Champions, Bohemian Rhapsody, Love of my Life, Don't Stop Me Now, Killer Queen, Crazy Little Thing Called Love, e muitas outras. Com o passar dos anos, as composições de Freddie para o Queen passaram por uma grande sucessão de estilos, com uma grande versatilidade artística sendo um dos maiores aspectos do cantor.
 Freddie possuía uma variado gosto musical e influência de diversos cantores e bandas, o que o levava a estar sempre diversificando suas criações. No início dos anos 70, quando o Queen começou, o Led Zeppelin já era uma banda muito popular e apreciada por Mercury, sendo a principal influência em canções como Seven Seas of Rhye e Killer Queen, canções com um toque de jazz rock característico dos álbuns do Led Zeppelin. Um grande fã de Elvis Presley, Freddie baseou muito de seu estilo e performance no astro, e algumas canções foram criadas ao estilo sessentista de Elvis, como Crazy Little Thing Called Love e Man on the Prowl. No entanto, a tradicional música clássica e o canto gospel, com os quais Freddie teve muito contato enquanto crescia, sempre foram suas principais fundações, com muitos sucessos do Queen trazendo vocais agudos e uma forte presença de piano e coros de fundo, como é o caso de Somebody to Love, composta como se fosse um hino gospel, e It's a Hard Life, que abre com uma área da ópera Pagliacci, de Ruggero Leoncavallo. O psicodelismo dos anos 70, popularizado pelo Pink Floyd, também teve grande impacto sobre Freddie, principalmente em canções como Get Down, Make Love e My Melancholy Blues.
 Freddie ainda apreciava o funk e o pop rock, o que o levou a criar várias canções nesses estilos, como Under Pressure e Body Language. A mais apreciada composição de Freddie é Bohemian Rhapsody, uma canção revolucionária e complexa, dividida em várias partes e soando em diversos estilos, desde o hard rock até a ópera, possuindo uma letra trágica e rancorosa, e Freddie nunca explicou seu verdadeiro significado, se referindo a ela como sendo [...]uma daquelas músicas que possui um sentimento de fantasia. Eu acho que as pessoas deveriam apenas ouví-la, pensar sobre ela, e então refletir sobre o que ela tenta lhes dizer[...]. Em uma entrevista de 1986, Freddie declarou: Eu odeio fazer sempre a mesma coisa. Gosto de conhecer as novidades da música, do cinema e do teatro, e então, usar tudo isso.
 Durante sua carreira com o Queen, Mercury realizou mais de setecentos concertos ao redor do mundo em quinze anos em todos os continentes, exceto a Antártida. O Queen foi a primeira banda europeia a fazer turnês na América do Sul, com datas na Argentina, Brasil e Venezuela, e também foi o primeiro grupo a se apresentar na África do Sul, um acontecimento que causou polêmica, pois, naquela época, se apresentar na África significava, aos olhos da política, que o indivíduo apoiava o apartheid (separatismo racial), acusações que foram recebidas como piada pelo grupo. O Queen se tornou célebre por esses e outros feitos, na época, únicos, como se apresentar para cerca de seiscentas mil pessoas no Rock in Rio de 1985, e também ter realizado um concerto para oitenta mil pessoas na Hungria em 1986. A performance mais célebre de Freddie aconteceu no evento beneficente Live Aid, em 1985, quando setenta e duas mil pessoas no Estádio de Wembley cantaram e bateram palmas juntas sob o comando do cantor, até hoje enaltecido pela crítica devido a esse dia.
 Mercury possuía várias marcas registradas que lhe deram notoriedade, tanto quanto a sua performance quanto a sua aparência pois, quando ao vivo, Freddie cantava usando um microfone preso a metade de um pedestal, como se fosse seu cetro (Queen significa Rainha), uma ideia que ele teve antes do grupo, quando seu pedestal quebrou e ele achou que o aparelho era um bom efeito visual. Quando cantava, Freddie fazia movimentos considerados teatrais, influenciados pelo seu treinamento em ballet, e também, em todos os concertos, Freddie envolvia a plateia em uma sequência conhecida como chamada e resposta, na qual ele executava algumas notas vocais e, em seguida, a plateia as imitava, permitindo que até as multidões em grandes estádios tomassem parte. Freddie também costumava permitir que o público cantasse partes de várias canções, principalmente a versão acústica de Love of my Life, e também comandava acenos e palmas sincronizadas em canções como We Will Rock You e Radio Ga Ga. Nos anos 70, Freddie tinha cabelo comprido e usava uma característica roupa quadriculada, mas a partir dos anos 80 passou a exibir um cabelo mais curto e deixou o bigode crescer, o que se tornou outro de seus símbolos. Logo no começo, devido ao bigode, pessoas da plateia costumavam jogar giletes e espuma de barbear no palco, que o cantor agradecia e guardava no bolso.
 Até hoje, a crítica considera Mercury como um dos maiores artistas da história devido a sua performance. Um repórter do The Spectator o descreveu como um artista fora de série, chocante e charmoso com várias versões extravagantes de si mesmo. O popular cantor David Bowie, que já gravou e se apresentou com o Queen, se referiu a Mercury dizendo que dentre todos os cantores teatrais de rock, ele foi o único a levar tudo a um outro nível [...] era alguém que podia, literalmente, ter a plateia na palma da mão. O guitarrista Brian May declarou que Freddie conseguia fazer a última pessoa na última fileira do estádio se sentir incluída. Em uma resenha do Live Aid em 2005, um crítico escreveu que aqueles que listam os maiores vocalistas da história costumam dar a primeira posição para Robert Plant ou Mick Jagger, mas estão terrivelmente errados, por sua performance mitológica no Live Aid Mercury era, sem dúvida, o maior de todos.
 Integrantes de muitas grandes bandas que surgiram antes ou depois do Queen apontam Mercury como grande influência em seu trabalho. Axl Rose, vocalista do Guns N' Roses, baseou muito de sua postura no palco em Mercury, com relação a seus movimentos, o uso do piano e o modo de cantar, por exemplo, e declarou que se não tivesse ouvido as letras de Freddie quando criança, não sabe o que teria sido dele. Kurt Cobain, do Nirvana, escreveu em sua carta de suicídio que admirava e invejava a felicidade que Freddie sentia ao estar no palco, e Robert Plant, do Led Zeppelin, declarou que Mercury era o único cantor que, por trás de sua lenda, realmente era uma lenda. Paul McCartney, certa vez, se referiu a Freddie como "Rei Mercury.
 Dave Grohl, do Foo Fighters, declarou que todas as bandas deviam estudar Freddie no Live Aid, quando ele demostrou que era o maior vocalista de todos. Personalidades da música pop também admiram seu trabalho, como Michael Jackson, que assistiu a vários concertos do Queen em Los Angeles, e apontava Mercury como seu cantor favorito, e Katy Perry o apontou como sua maior influência, declarando que a combinação de sua performance sarcástica e suas letras, combinadas com sua atitude de indiferença, afetaram muito sua música. Lady Gaga criou seu nome artístico baseado na canção Radio Ga Ga e descreveu Freddie como sendo um gênio, que conseguia se reinventar constantemente. 
 Em 2008, Mercury ficou em segundo lugar na lista da MTV das 22 Maiores Vozes da Música, e no ano seguinte também ficou em segundo lugar na lista da rádio Planet Rock das Maiores Vozes do Rock and Roll, mas foi o campeão na lista dos Maiores Vocalistas da História da revista Classic Rock. Em 2011, Freddie ficou em segundo lugar na lista da NME dos Maiores Cantores da História, também ficou em segundo lugar na lista 100 Melhores Vocalistas da História pela revista Rolling Stone, e foi eleito o maior cantor de todos tempos pelos leitores da revista Gigwise.

 Em 25 de novembro de 1996, foi inaugurada uma estátua em homenagem a Mercury na cidade suiça de Montreux, as margens do Lago Léman, com três metros de altura projetada por Irena Sedlecká; a cerimônia foi assistida por Brian May, Roger Taylor, Montserrat Caballé e o pai de Freddie, assim como por milhares de pessoas. A partir de 2003, fãs de várias partes da Europa começaram a se reunir anualmente em frente à estátua de Montreux para prestar tributo ao cantor, com a banda Bearpark And Esh Colliery apresentando canções do Queen. Em 1999, a Royal Mail imprimiu uma série de selos nacionais com o rosto de Freddie, como sinal de respeito.
 Em 2009, uma estrela foi colocada em uma calçada de Londres no local em que a família de Freddie desembarcou na cidade em 1964, em uma cerimônia assistida por Brian May e pela mãe do cantor. A partir de 2009, uma compilação de vídeos em sua homenagem passou a ser exibida toda semana em um telão em frente ao Fremont Street Experience, um dos maiores cassinos de Las Vegas. No mesmo ano, foi inaugurada uma estátua de Mercury em frente ao Teatro Playhouse na cidade escocesa de Edimburgo. Outra grande estátua está localizada em frente ao Teatro Dominion de Londres, onde o musical We Will Rock You, baseado nas canções do Queen, é apresentado.
 Em celebração dos sessenta e cinco anos de Mercury, o Google o homenageou com seu logotipo em sua página online de pesquisas, que por algumas semanas mostrava uma animação de Freddie cantando Don't Stop Me Now. Outro grande tributo foi pago na Cerimônia de encerramento dos Jogos Olímpicos de Verão de 2012, quando foram mostradas em vários telões do Estádio Olímpico de Londres a gravação de Freddie realizando sua chamada e resposta com a plateia de Wembley em 1986, e a multidão de espectadores e atletas no local respondeu adequadamente. Em seguida, Brian May e Roger Taylor tocaram We Will Rock You com a cantora Jessie J no vocal.
 Em 24 de novembro de 1997, um monodrama baseado na vida de Mercury, o Mercury: The Afterlife and Times of a Rock God, estreou em Nova Iorque, nos Estados Unidos. A peça apresenta Freddie, interpretado por Khalid Gonçalves, examinando sua vida, em um texto de Charles Messina. Billy Squier abria a peça interpretando a canção acústica I Have Watched You Fly, que ele escreveu.
 Em 2010, numa entrevista para a BBC, Brian May revelou que o ator Sacha Baron Cohen, conhecido por seus personagens cômicos como Ali G e Borat, havia sido escolhido para interpretar Mercury em um filme sobre sua vida. O roteiro está sendo escrito por Peter Morgan e vai ser produzido pela TriBeCa Productions de Robert De Niro, com a história indo desde a formação do Queen até a apresentação no Live Aid. Em abril de 2011, May confirmou que o filme ainda será feito, com previsão para ser gravado em 2014, no entanto, Sacha Baron desistiu do papel e seu substituto não foi revelado.
 Em setembro de 2012, foi lançado em DVD e Blu-ray pela Eagle Rock Entertainment, o documentário Freddie Mercury: The Great Pretender, exibido no mesmo ano pela rede britânica BBC One, e vencedor de um Emmy Internacional de melhor programa artístico.
 Freddie foi retratado como um personagem de apoio na série britânica Best Possible Taste: The Kenny Everett Story, exibido em outubro de 2012, interpretado por James Floyd.
Discografia:
Com o Queen, Mercury lançou quinze álbuns, incluindo um disco póstumo, e também lançou dois álbuns solo:

Com o Queen:
Queen (1973)
Queen II (1974)
Sheer Heart Attack (1974)
A Night at the Opera (1975)
A Day at the Races (1976)
News of the World (1977)
Jazz (1978)
The Game (1980)
Flash Gordon (1980)
Hot Space (1982)
The Works (1984)
A Kind of Magic (1986)
The Miracle (1989)
Innuendo (1991)
Made in Heaven (1995)

Solo:
Mr. Bad Guy (1985)
Barcelona (1988)


terça-feira, 26 de junho de 2018

Phenomena


Em meados dos anos oitenta, mais especificamente em 1985, surge um projeto com todas essas referências musicais oitentistas chamado Phenomena!

 O projeto tem a frente, como seus idealizadores, Tom Galley e seu irmão Mel Galley... Tom Galley era o principal fundador do projeto, que já vinha sendo desenvolvido por ele desde 1983 e trazia em seus propósitos a tarefa de reunir um supergrupo de músicos e artistas do Heavy Metal e Hard Rock.
 Inicialmente, a ideia era juntar as principais estrelas envolvidas nesses dois sub - gêneros do rock, tarefa essa praticamente impossível, já que para isso o projeto dependeria da boa vontade e do tempo dos demais artistas!
 Em 1985, Tom Galley consegue então reunir algumas das celebridades e dar o primeiro passo para a concretização de seu projeto! Assim neste mesmo ano é lançado o primeiro disco da banda de superstars do Rock ‘n’ Roll, intitulado Phenomena I. Este disco conta com a presença de: Glenn Hughes (Deep Purple, Black Sabbath, Trapeze) nos vocais, Mel Galley na guitarra, Neil Murray (Whitesnake, Black Sabbath) no baixo, Cozy Powell (Rainbow, Black Sabbath,Whitesnake, Jeff Beck Group) na bateria e Don Airey (Rainbow, Black Sabbath, Whitesnake, Ozzy Osbourne) e Richard Bailey (Whitesnake) nos teclados.
 Com o sucesso de crítica gerado pelo primeiro disco, três anos mais tarde, em 1988 para ser mais exato, é dado o próximo passo do supergrupo. O segundo disco Phenomena II – Dream Runner é lançado, agora com ainda mais renomes em sua formação, contando com: Ray Gillen (Black Sabbath, Badlands), Glenn Hughes, John Wetton (Asia, King Crimson, Uriah Heep) e Max Bacon nos vocais; Kyoji Yamamoto, Mel Galley, Scott Gorham (Thin Lizzy) e John Thomas nas guitarras; Neil Murray e John Wetton nos baixos; Michael Sturgis e Toshihiro Miimi na bateria; Leif Johansen e Richard Bailey nos teclados. Este disco por sua vez, levou o nome Phenomena ao auge de sucesso, sendo até os dias atuais considerado como o mais bem sucedido disco do grupo!
 Por causa de dois trabalhos tão bem sucedidos, e o sucesso a flor da pele, em 1993, novamente é reunido um supergrupo para a composição de um novo disco intitulado Phenomena III – Inner Vision!
 Seu line up agora contava com os nomes: Keith Murrell nos vocais, Brian May (Queen), Mel Galley, Scott Gorham nas guitarras, Michael Strugis na bateria e Leif Johansen nos teclados.
 Após este terceiro lançamento, o projeto parece ter ficado estagnado durante um bom tempo, voltando à ativa apenas em 2006 com o Pshycho Fantasy pela gravadora Escape Music/ AOR Heaven. Este disco traz grandes nomes que já haviam participado dos projetos anteriores como: Glenn Hughes (DEEP PURPLE, BLACK SABBATH), Tony Martin (Black Sabbath), Keith Murrell (Mama's Boys, Air Race), Mel Galley (Whitesnake, Trapeze) e JJ Marsh (Htp, Glenn Hughes). Esta seria a última participação de um dos homens que estavam à frente do projeto, já que Mel Galley (R.I.P) viria a falecer em 2008 por causa de um câncer no esôfago!
 Em 2010, mesmo sem a presença do saudoso Mel Galley, que esteve presente em todos os feitos anteriores do projeto, o Phenomena retoma a sua trajetória perante os holofotes com o disco Blind Faith! Dessa vez composto pelos músicos: Mike DeMeo, Rob Moratti, Tony Martin, Ralf Scheepers, Mikael Erlandsson, Robin Beck, Chris Ousey, Terry Brock e Steve Overland - vocais, Ian Crichton, Martin Kronlund e Jim Kirkpatrick – guitarras, Matt Sinner, Martin Kronlund e Henrik Thomsen - baixo, Imre Daun - bateria, Dan Helgesen - teclados.
 O Phenomena dessa forma se configurou em um grande projeto, com grandes nomes e consequentemente grandes composições.


quarta-feira, 13 de junho de 2018

Miljenko Matijevic



Conhecido também como Michael Matievich (29 de Novembro de 1964, Zagreb, Croácia) é um músico norte americano, de origem croata, conhecido por ser o vocalista da banda Steelheart e por possuir um dos registos vocais mais agudos dentro do Hard rock, sem recurso a falsetto, com uma extensão vocal que oscila entre C2-D6, difíceis de alcançar para um intérprete masculino.
  Viveu com o irmão e com os seus avós até 1970, altura em que os seus pais trasladaram os 2 irmãos para Scarsdale, em New York, nos Estados Unidos. Aos 7 anos mudam-se para Greenwich, no Connecticut. O irmão, John, aprendeu a tocar guitarra e Mili costumava dar voz a temas country. Aos 9 juntou-se ao coro da igreja. Com 11 anos descobre os Led Zeppelin. Uns anos depois, ele e o irmão formaram a banda Teazer, que interpretava covers dos Zeppelin e Sabbath, e tocavam alguns originais. Durante uma actuação em Nova Iorque, Don Stroh, convidou Miljenko para ensair com um grupo nos seus estúdios. Aí conheceu Chris Risola, James Ward e Jack Wilkinson e formaram os Red Alert. Por motivo de direitos de autor, algum tempo depois mudaram o nome para SteelHeart.
 No final da digressão pelos E.U.A. como banda de suporte para os Great White, os Steelheart foram convidados para um show adicional com os Slaughter, na McNichols Arena de Denver, no Colorado. Na noite de Halloween (31 de Outubro) de 1992, enquanto interpretava o tema Dancing in the Fire, Miljenko subiu a uma coluna de suporte de focos que não estava fixa ao chão. Quando o poste cedeu, Mili conseguiu largá-lo e correr mas não o suficiente para esquivar a meia tonelada de equipamento que lhe caiu sobre as costas e a cabeça. Conseguiu levantar-se sozinho e ir até ao backstage. Daí foi levado para o hospital onde lhe foi diagnosticado um traumatismo cranioencefálico grave, fraturas do arco e do osso zigomático, de nariz, do maxilar inferior e várias roturas na coluna cervical. No dia seguinte foi evacuado de helicóptero para Nova Iorque. Esteve 8 meses acamado e 2 anos em fisioterapia, sofreu uma grave perda de memória. Esse foi o último concerto que os Steelheart deram com a formação original.
 O acidente não apenas decretou o encerramento das atividades do Steelheart, o grupo jamais voltaria a tocar com a formação clássica, como chegou perto de decretar o óbito de Mike, A recuperação, além de levar muito tempo, lhe custaria muito caro: junto da fama e fortuna conquistadas, perdeu amigos, perdeu a família, perdeu sua casa, perdeu sua credibilidade como artista. Nem mesmo os fãs mais otimistas apostariam numa reviravolta.
 Mili perdera tudo, menos a vontade de dar a volta por cima. “Enquanto me recuperava, acabei me reencontrando”, disse em 2011. “Muitas boas lembranças foram apagadas da minha memória. Fiquei numa espécie de transe contínuo por três anos. Às vezes me pegava no meio da noite, dirigindo sem destino, sem saber o porquê daquilo. Ninguém me compreendia, a não ser eu mesmo, fui diagnosticado com lesão cerebral traumática e tive de reaprender concentração, foco e a reprogramar a mente”.
 Quatro anos após flertar com a morte, Miljenko trouxe seu Steelheart à vida novamente. Com os mercados americano e europeu dominados por desdobramentos do grunge e afins, concentrou seus esforços na Ásia, continente que sempre o abraçou e não o fizera diferente. Apesar da sonoridade que pouco dialogava com o velho Steelheart, Wait alcançou o primeiro lugar em diversos países do oriente. Durante o processo, Miljenko acordou; como se todas as sequelas do acidente que quase o matou tivessem ido embora; não havia mais demônios a exorcizar. Era o começo de um novo capítulo.

Atualmente, continua à frente dos Steelheart fazendo sua incrível performance, mesmo com a voz um pouco mudada após o acidente, tem o seu próprio estúdio de gravação, em Charlottesville, na Virgínia, e durante o período de convalescência comprou os direitos de autor dos 2 primeiros trabalhos dos Steelheart. É dono de uma marca de cafés com origem controlada.
 Mas nem só de glórias foi o ano de 1996: de volta para os EUA, Miljenko viu sua mãe morrer de câncer aos 56. No ano seguinte, foi a vez de Frankie, um amigo muito próximo sucumbir à mesma doença. Ainda em 1997, Mike voltou a atender pelo seu nome de batismo, Miljenko, codinome Mili.
 Ano 2000, o telefone toca na casa do seu irmão, em Connecticut. Do outro lado da linha está Tom Werman, produtor de álbuns clássicos do hard rock e também de Tangled in Reins, que faz uma proposta irrecusável ao vocalista: “Estou trabalhando em um filme, Metal God, e acho que você é o cara. Você topa fazer um teste?”. No dia seguinte, Mili embarca para Los Angeles, faz o teste e “É isso, você conseguiu, você é o cara.
 O filme em questão, Metal God, virara Rock Star, inspirado na história da ida de Tim “Ripper” Owens para o Judas Priest. Mike registraria os vocais que na telona seriam dublados por Mark Wahlberg, e We All Die Young, faixa de abertura de Wait, seria refeita com a ajuda peso-pesado de Zakk Wylde, Jeff Pilson e Jason Bonham para tornar-se o destaque da trilha sonora. Apesar da mística gerada em torno, o longa flopou bonito, e sua renda não cobriu o custo reportado de produção, distribuição e marketing, mas continua sendo um dos filmes de temática roqueira favorito.
 Mili foi um dos 3.938 vocalistas a fazer teste para o Velvet Revolver, aliás, qual cantor não pleiteou o microfone no Guns Sem Rose?, mas não deu em nada. O mesmo não se pode dizer do projeto Manzarek-Krieger, formado pelos ex-The Doors Ray Manzarek e Robbie Krieger: Matijevic foi a voz do grupo em duas turnês.
 Os esforços para reunir a formação clássica do Steelheart não obtiveram resultado — o sonho seria descartado em definitivo com a morte do baterista John Fowler em agosto de 2008. Mili, que durante um tempo tentou emplacar uma carreira solo como Mikey Steel, estava à deriva. Em 2006, o vocalista pegou a todos de surpresa com Just a Taste, uma espécie de EP preparatório do que estaria por vir. Quando Good 2B Alive finalmente viu a luz do dia, em novembro de 2008, ninguém mais se lembrava do que ouvira no compacto.
 Ao vivo, porém, o caráter saudosista, somado à vibração que o punhado de canções que Mili canta na trilha sonora de Rock Star exerce sobre o público, fez do show do Steelheart uma opção viável para inclusão em festivais de pequeno e médio porte nos EUA; muitos dos quais, dedicados exclusivamente às bandas do hard rock que o tempo havia varrido para debaixo do tapete; o crescente interesse nos grupos que faziam a cabeça da molecada na Los Angeles de vinte anos atrás colocou o Steelheart, entre outros, novamente nos trilhos.
 Jakarta, Indonésia, 2013. Um domingo à noite. Palco principal do festival Java Rockin’land. Um velho conhecido da galera sobe ao palco. Seu nome é Chris Risola. O guitarrista da formação clássica do Steelheart dá, então, os primeiros acordes de She’s Gone. Mas onde está Mili Matijevic? Uma clareira se abre na plateia. Lá está o vocalista. Todos os olhares, celulares e máquinas fotográficas se voltam para ele. Com seu vozeirão arranha-céus, afirma algo que todos nós sabemos: “My heart belongs to you”.






DISCOGRAFIA:
Steelheart (1990)
Tangled in Reins (1992)
Wait (1996)
Rock Star (banda sonora) (2001)
Just a Taste (EP) (2006)
Good 2B Alive (2008)

segunda-feira, 28 de maio de 2018

Fama



 Fama (Original em inglês Fame) é um filme musical estadunidense de 1980, dirigido por Alan Parker. O filme originou uma série de televisão de mesmo nome, onde atuaram Gene Anthony Ray, Lee Curreri, Albert Hague, Lori Singer, Debbie Allen e Janet Jackson.
 Relata a história de oito adolescentes que buscam uma vaga na Escola de Artes Performáticas de Nova Iorque, Coco Hernandez, uma talentosa aspirante a estrela; Ralphy Garcy, um comediante porto-riquenho de vida sofrida; Leroy Johnson, um jovem negro de família pobre e dançarino de rua em busca de algo melhor; Doris Finsecker, uma tímida garota judia que sonha em se tornar uma grande atriz e cantora; Bruno Martelli, um gênio da música cuja arte é incompreendida; Montgomery McNeil, um sensível aluno de teatro; Lisa Monroe, uma estudante apaixonada pela dança; e Hilary Van Doren, uma bela garota loira de família rica que estuda balé clássico.

Trilha sonora
-Fame (Michael Gore, Dean Pitchford), por Irene Cara;
-Out Here on My Own (Michael Gore, Lesley Gore), por Irene Cara;
-Hot Lunch Jam (Michael Gore, Lesley Gore, Robert F. Colesberry), por Irene Cara;
-Dogs in the Yard (Dominic Bugatti, Frank Musker), por Paul McCrane;
-Red Light (Michael Gore, Dean Pitchford), por Linda Clifford;
-Is It Okay If I Call You Mine? (Paul McCrane), por Paul McCrane; 
-Never Alone (Anthony Evans), por Contemporary Gospel Chorus of the High School of Music and Art.;
-Ralph and Monty (Dressing Room Piano) (Michael Gore), por Michael Gore;
-I Sing the Body Electric (Michael Gore, Dean Pitchford), por Laura Dean, Irene Cara, Paul McCrane, Traci Parnell, Eric Brockington.


Elenco

  •  Irene Cara .... Coco Hernandez   
  • Lee Curreri .... Bruno Martelli   
  • Laura Dean .... Lisa Monroe 
  • Antonia Franceschi .... Hilary van Doren 
  • Albert Hague .... Benjamin Shorofsky  
  • Tresa Hughes .... Sra. Naomi Finsecker  
  • Steve Inwood .... François Lafete  
  • Paul McCrane .... Montgomery MacNeil  
  • Anne Meara .... Sra. Elizabeth Sherwood  
  •  Joanna Merlin .... Srta. Berg   
  • Barry Miller .... Ralph Garcey / Raúl García  
  • Jim Moody .... Sr. Farrell  
  • Gene Anthony Ray .... Leroy Johnson  
  • Maureen Teefy .... Doris Finsecker

 Oscar 1981 (EUA)
 Venceu nas categorias de Melhor Trilha Sonora e Melhor Canção Original (Fame).
 Foi indicado em outras quatro categorias: Melhor Roteiro Original, Melhor Edição, Melhor Som e Melhor Canção Original (Out Here On My Own).

Globo de Ouro 1981 (EUA)
 Venceu na categoria de Melhor Canção Original (Fame).
 Foi indicado em outras três categorias: Melhor Filme - Comédia / Musical, Melhor Atriz - Comédia / Musical (Irene Cara) e Melhor Trilha Sonora.

BAFTA 1981 (Reino Unido)
 Venceu na categoria de Melhor Som.
 Foi indicado também nas categorias de Melhor Diretor, Melhor Trilha Sonora e Melhor Edição.

Prêmio César 1981 (Itália)
 Indicado na categoria de Melhor Filme Estrangeiro.


       

sábado, 19 de maio de 2018

Maurice White




 Maurice White (Memphis, 19 de dezembro de 1941 — Los Angeles, 3 de fevereiro de 2016) foi um músico, produtor musical, compositor e arranjador norte-americano. Conhecido como líder da banda de R&B Earth, Wind & Fire, da qual foi um dos fundadores.
  Começou sua carreira musical em torno de 1966 como baterista para o Trio de Ramsey Lewis, antes de partir em 1970 para Chicago onde, com seu irmão Verdine White, fundou o Earth, Wind & Fire.
 White é também responsável por incorporar o som da kalimba (um piano do polegar da origem africana) e dos "Phoenix horns" (naipe de sopros composto por: Louis Satterfield, Rahmlee Michael Davis, Michael Harris e o posteriormente Don Myrick) na música de EWF.
 White produziu muitos artistas famosos, inclusive Barbra Streisand, The Emotions, Ramsey Lewis, Jennifer Holliday, Deniece Williams, e Neil Diamond. 
 Em 1990 Maurice foi diagnosticado com mal de Parkinson. Em 1996 Maurice decidiu aposentar-se dos palcos, no entanto continuou trabalhando como produtor, produzindo músicas para o Earth, Wind & Fire e outros artistas. Maurice é escolhido para liberar suas interpretações seguintes do projeto do álbum Celebrating the Music of Earth, Wind & Fire em março 2007, caracterizando artistas renomados como MeShell Ndegeocello, de Chaka Khan, Kirk Franklin entre outros.
 Maurice morreu em sua casa, na cidade de Los Angeles no dia 3 de fevereiro de 2016, aos 74 anos devido a complicações causadas pelo Mal de Parkinson.












segunda-feira, 30 de abril de 2018

Iron Maiden e Derek Riggs, o criador do Mascote Eddie

A tão aclamada banda Iron Maiden ainda é notícia na mídia quando o assunto é Heavy Metal!
Carrega consigo além de toda fama de mais de 40 anos de história, também o legado de seu Mascote, o famoso Eddie ou de nome original "Eddie the Head".

Derek Riggs é o designer ilustrador responsável pela criação do "monstro mascote" que até nos dias de hoje é visto nas capas dos álbuns e também é protagonista do show da banda.


Riggs era apaixonado por ficção científica nos anos 70 e ilustrava naves espaciais em busca da comercialização de suas artes naquela época. Com a repudia de muitos diretores de arte, Riggs revolveu mudar de segmentação e montar seu portifólio em busca da produção de artes para capas de discos (já tendência na época).



Através da imagem de uma cabeça de soldado em decomposição publicada pela revista Time aonde informavam que era a cabeça de um soldado Inglês presa em um tanque Nazista, Riggs deu início a ilustração que em tempos futuros faria história presente no primeiro álbum da banda Iron Maiden.

Naquela época, os jovens (ingleses) eram influenciados pelo movimento Punk, no qual havia uma grande crítica pela sociedade aonde alegavam que a juventude estava se perdendo e estaria em declínio. O "monstro" Eddie the Head então, tomou formas, com traços característicos da juventude. Segundo Riggs, o monstro foi ilustrado pensando na comercialização para bandas Punk, porém, nenhuma produtora aprovava a arte, até Rod Smallwood então empresário do Iron Maiden que estava em busca da arte para a capa do primeiro disco da banda aprovar a ilustração que sofrera algumas alterações, assim, se enquadrando no segmento da banda.

Derek sobre a 1ª ilustração do Eddie: 

"Eu projetei este personagem com cabelo punk, e eu pensei que eu vou colocar um cadáver em uma camisa, porque eu tinha uma imagem a partir da década de 1960 desta cabeça inoperante do inglês preso em um tanque Nazista. De qualquer forma, eu pintei esta cabeça com cabelo punk e pendurei na parede de onde eu morava.
Eu costumava andar muito durante a noite, e veio a ideia deste muro que era tudo amarelo porque tinha luzes de rua acima dele, e a lua estava lá também ... que tinha um tom azulado. Era um contraste bastante impressionante, então eu usei".


A partir daí, Riggs se tornou membro da equipe do Iron Maiden, produzindo e dando vida ao Masconte mais famoso do Rock!

Em meio de polêmicas (que era já de se esperar), pois julgavam o mascote muito macabro para a época, segundo fontes, após ação do governo Inglês de buscar impedir veiculações de posters da banda, Riggs produziu arte para o Single Sanctuary com o Mascote assassinando a então primeira dama Margaret Thatcher (na arte após a mesma rasgar o poster da banda na parede).
O Single foi bem aceito pelos fãs, porém, nem tão bem aceito pelo governo.

Outras aparições da primeira dama, encontramos no single Women in Uniform de 80' - cover da banda autraliana Shyhooks. Nesse episódio, a primeira dama prestes a assassinar Eddie!

Essa polêmica gerou notícia para a banda que então buscava reconhecimento. Nesse período (não só por isso) a banda se tornara cada vez mais forte, ganhando cada vez mais adeptos no que futuramente se transformou no movimento
N.W.O.B.H.M (New Wave of British Heavy Metal) ou " Nova Onda Do Heavy Metal Britânico.

Outra aparição da primeira dama, no 2º álbum da banda chamado Killers!

Dizem que é Eddie assassinando a então primeira dama e dando fim na história. Outro álbum de grande sucesso no qual carregou muita polêmica.

...

Derek Riggs assinava suas obras então voltadas a galera do Iron Maiden. Sua assinatura tem todo um significado aonde representa a gradeza da banda.

Temos acima a representatividade de "Deus" indicando abaixo "Iron Maiden" através da seta. Entre Deus e Iron Maiden, temos as esferas representadas por "Humanos". Ao lado direito, o enlace "Deus + Humanos".
Na Base, Iron Maiden!


A assinatura presente nas artes são quase perspectiveis, o que causou grande atenção do público, pois Riggs "brincava" posicionando a assinatura em locais aonde com muita atenção conseguissem identificar! Se tornou ai mais um atrativo em suas artes! 



Segue algumas artes ilustradas por Riggs e a localização de cada Assinatura:



















Álbum de estréia - Iron Maiden 1980



















Killers de 1981




















The Number of the Beast de 1982



















Piece of Mind de 1983




















Singles The Trooper e Flight of Icarus de 1983



















Powerslave de 1984




















Live After Death de 1985



















Somewhere in Time de 1986



















Seventh Son of a Seventh Son de 1988

...

O famoso Designer também ilustrou para outros artistas como Stratovarius, Gamma Ray, Bruce Dickinson, Impellitteri entre outros. No Iron Maiden produziu artes e deu vida ao Eddie dos anos 70 aos 90, aonde em 92 (na época do lançamento do álbum Fear of the Dark) segundo ele, se cansou da monotonia voltada apenas a Eddie e preferiu seguir em outras direções.

Em 1999 com a volta da formação clássica da banda, Derek também retorna a seu posto e faz parte do desenvolvimento da capa do album Brave New World de 2000.

Um fato é certo, as obras de Derek Riggs foram apreciadas por muitos fãs, fez história e até hoje suas artes são vistas por diversas gerações em camisetas, álbuns da banda, canecas, emfim, em diversos veículos! Derek Riggs também merece ser homenageado!

Up the Irons, Up the Eddie, Up Derek Riggs!